quinta-feira, 9 de junho de 2016

Porto inteligente no Recife Antigo

O Recife Antigo, em Pernambuco, está se transformando em laboratório  a céu aberto para melhorar a vida  nas cidades

  • // Por: Roger Marzochi
Câmeras de segurança são capazes de analisar padrões de comportamento que possam indicar riscos de segurança. Mas se elas pudessem escutar? A empresa pernambucana Avantia desenvolveu um sensor capaz de identificar 30 tipos de ruídos críticos, como disparos de armas de fogo e batida de carro. 

“É possível identificar o calibre da arma que foi disparada”, diz Eduardo Ferreira Lima, diretor comercial da companhia. Ao captar o estampido de um revólver, o sensor direciona a captação de imagens para aquele local, a fim de aprimorar o monitoramento de galpões de fábrica, praças e ruas.

Com a ajuda dessa engenhoca eletrônica, que já está ativa no Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, a Avantia deve faturar R$ 80 milhões, em 2016, um crescimento de 33% em relação ao ano passado. 

A Avantia é uma das empresas que representam uma nova fase do Porto Digital, um dos maiores parques tecnológicos do Brasil, localizado no Bairro do Recife, que abriga 260 companhias que faturaram mais de R$ 1,4 bilhão. Criado em 2000, com apenas duas empresas, o objetivo era lançar as bases para desenvolver sistemas da TI de nível internacional.

A partir de 2013, o parque abraçou iniciativas de economia criativa que, em muitos casos, envolvem soluções tecnológicas. Neste ambiente, por exemplo, foi acelerado o ClapMe, plataforma que transmite shows ao vivo pela internet. Hoje, as empresas que ajudaram a revitalizar 85 mil metros quadrados de casarões históricos, poderão pensar em tornar as cidades mais inteligentes. 

São soluções que ajudam a melhorar a vida nas grandes cidades, um mercado que pode alcançar globalmente US$ 1,4 trilhão em 2020, segundo a consultoria Grand View Research. “É um momento marcante que vincula o Porto às cidades”, diz Francisco Saboya, presidente do Porto Digital.

Além da Avantia, outras cinco empresas já atuam nessa direção. É o caso da Serttel, que administra os semáforos de São Paulo e que faturou no ano passado R$ 180 milhões. A empresa tem uma unidade no Porto Digital chamada Mobilicidade, que desenvolveu diversas soluções para cidades, todas testadas no Bairro do Recife. 

A primeira delas foi o projeto de bicicleta compartilhada, que hoje tem o patrocínio do Itaú, em São Paulo, da Unimed, em Fortaleza, e da Claro, em Aracaju.

A partir desse modelo, a empresa lançou, há dois anos, o Carro Leve, projeto de compartilhamento de veículos movidos à energia elétrica. O primeiro acordo comercial entrará em operação no fim de agosto, em uma parceria com a prefeitura de Fortaleza. Serão 15 carros elétricos que poderão ser compartilhados pelos habitantes. 

Haverá 40 estações espalhadas pela cidade para fazer a devolução ou recarregar a bateria. “Isso vai mudar completamente sobre como as pessoas se relacionam com a cidade”, diz Rudrigo Maciel, diretor de negócios da Serttel.

Em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco, a Serttel fez ainda um algoritmo de um semáforo inteligente, que usa o monitoramente por câmeras para avaliar o trânsito e acionar os sinais de forma inteligente, que já está funcionando no Recife Antigo. 

É dela também o projeto da Zona Azul digital, que já opera em sete cidades do Brasil. Por meio de um aplicativo no celular, é possível pagar a zona azul. A fiscalização usa um tablet que verifica o número da placa do veículo para conferir o pagamento.

A Serttel desenvolveu tambêm uma inovação que permite visualizar no aplicativo quais vagas na rua estão livres para estacionar, usando as câmeras da rua. Para acelerar ainda mais soluções de cidades inteligentes, o Porto Digital criou, em maio, o Laboratório de Objetos Urbanos Conectados (LOUCo), aberto a estudantes e companhias associadas. 

Há nesse espaço desde cola tenaz a impressoras 3D, internet das coisas (IoT) e monitoria de cientistas e tecnólogos. “A ideia das cidades inteligentes não é ter um grande irmão observando o caos, mas pensar um novo conceito de metrópole”, diz Saboya. Com a tecnologia, a vida nos grandes centros urbanos pode ficar mais segura e agradável.

Isto É Dinheiro

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