quarta-feira, 22 de junho de 2016

PPPs podem prejudicar o Nordeste

Para Tânia Bacelar, a venda do terminal de GNL e térmica do Pecém, por parte da Petrobras, não é necessariamente ruim para o Ceará 
 ( Foto: Thiago Gadelha )
Uma das consultoras mais respeitadas pelo mercado, a professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFP), Tânia Bacelar, esteve ontem em Fortaleza para participar do Nordeste 2030 - Desafios e caminhos para o desenvolvimento sustentável, evento realizado pelo Banco do Nordeste (BNB). Na análise da economista, a forma que o Brasil tem tentado retomar o crescimento, apostando principalmente no investimento em infraestrutura, via Parcerias Público-Privadas (PPPs), pode acabar prejudicando o Nordeste, já que a tendência é que os recursos acabem se concentrando no Sudeste.

"O Brasil está focado em utilizar as PPPs para retomar o crescimento, mas, na mão do setor privado, a tendência é que os investimentos se concentrem onde há maior retorno econômico, que também é onde há maior densidade econômica. E isso definitivamente que não é no Nordeste", comenta Bacelar, que ministrou uma palestra sobre as possibilidades para o desenvolvimento regional. "Basicamente, o maior dos desafios é a infraestrutura. Precisamos fazer o possível para melhorá-la e deixá-la mais atraente para o mercado".

Conforme a consultora, outro desafio do Nordeste é tentar manter a atuação da indústria de petróleo e gás na região, posto que o setor tem se concentrado novamente no Sul e Sudeste do País. Além disso, conta, é necessário se esforçar para manter as conquistas sociais, mesmo com um eventual ajuste fiscal.

Petrobras não preocupa
Com a Petrobras dando cada vez mais sinais de que pretende reduzir suas operações no Estado do Ceará - a estatal já colocou o terminal de GNL e a térmica do Pecém à venda -, o governo já se preocupa com um provável "desinvestimento" da empresa na região. Para Tânia Bacelar, entretanto, a situação é apenas conjuntural. "Ela está apenas queimando ativos. Se ela vender e quem comprar continuar investindo, só mudou de mãos, não tem problema. O problema é que se tem é o clima desfavorável em torno do petróleo, que viu seu preço cair muito no mercado internacional", comenta. Por fim, Bacelar pontua que o Brasil está vivendo um momento de transição, mas que a crise vai passar e será necessário "construir um futuro melhor".

Diário do Nordeste

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