sábado, 25 de junho de 2016

Prédio do Clube de Engenharia no centro do Recife será reformado

Imóvel pertencente ao governo do estado, mas cedido à entidade, está abandonado e aguarda decisão da PCR, que analisa projeto arquitetônico



Prédio construído em 1924 fica em frente à Praça Sérgio Loreto, no bairro de São José. Foto: Karina Morais/Esp.DP

Um impasse na legislação impede a reforma de um casarão datado de 1924 e que está em ruínas. Localizado na Praça Sérgio Loreto, no bairro de São José, no Centro do Recife, o imóvel pertence ao governo do estado, mas em 2011 foi cedido ao Clube de Engenharia de Pernambuco por 20 anos. O dinheiro para as obras, R$ 11 milhões, arrecadado entre empresários do setor de construção civil do estado, já está disponível. Mas o projeto arquitetônico prevê que a edificação passe a ter 12 metros de altura, o que contraria o plano urbanístico para áreas do Cabanga, Cais Estelita e Cais de Santa Rita. Pela lei, edificações naquela região só podem ter, no máximo, dez metros de altura. A Secretaria de Assuntos Jurídicos da Prefeitura da Cidade do Recife (PCR) está analisando o projeto. Caso seja aprovado, a PCR irá encaminhar a documentação para votação na Câmara Municipal. 

"O projeto arquitetônico é bom para o Recife porque vai preservar toda a parte externa do casarão. Também vai atrair turisticamente a população para aquela área", ressaltou o secretário de Mobilidade e Controle Urbano, João Braga. Segundo ele, a Secretaria de Assuntos Jurídicos está avaliando a alteração na lei para que a obra de restauração seja realizada. “Sou favorável à mudança porque vai surgir uma nova área preservando o espaço existente”, disse. O Clube de Engenharia de Pernambuco completará 100 anos de existência em junho de 2019. Até lá, a entidade pretende estar com o casarão pronto. “O dinheiro para as obras já está à nossa disposição”, comentou o presidente do clube, o engenheiro Alexandre Santos.
De acordo com o presidente da entidade, o projeto vai preservar toda a parte externa do casarão e dentro será reconstruído o prédio. “Vamos usar estruturas metálicas com paredes de vidro”, adiantou. Enquanto o impasse não se resolve, a situação do casarão atual é de precariedade. A sua estrutura e fachada estão em ruínas. Sem o telhado, o imóvel também tem as paredes com mofo e infiltrações tomam conta dos cômodos. Ao redor do casarão, a vegetação alta compromete a visibilidade. O terreno, hoje, está servindo de espaço de depredação para vândalos e de banheiro para muitas pessoas.

Moradores da região relatam que há três meses o casarão também tornou-se ponto de consumo de drogas e de prostituição e que, por conta disso, a violência na área teria aumentado consideravelmente. Elias de Souza, 40, mora próximo ao prédio e conta que há cerca de três semanas móveis e objetos que faziam parte do interior da casa começaram a ser retirados do espaço, num processo de saque. “Tiraram tijolos, grades, móveis. Isso gera uma sensação de medo em todo mundo. Quem mora por aqui sabe que a região piorou muito com o abandono da casa”, comentou.

O terreno e o próprio casarão são propriedades do governo de Pernambuco. No dia 26 de setembro de 2011, o então governador do estado Eduardo Campos oficialmente cedeu o espaço para o Clube de Engenharia de Pernambuco, cuja sede funcionava na Rua Real da Torre, no bairro da Madalena. A cessão permitiu que a sede fosse então transferida do antigo endereço para a Praça Sérgio Loreto e ocorreu após a modificação do artigo 3º da lei de nº 14.359, em junho do mesmo ano. A alteração realizada permitiu que o espaço fosse cedido ao clube por 20 anos, contra os quatro anos que determinava a versão inicial do documento.

No interior do imóvel, podem ser encontrados entulhos pelo chão. Vizinhos relatam ainda que há consumo de drogas dentro do casarão. Foto: Karina Morais/Esp.DP

Por: Diario de Pernambuco

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