quarta-feira, 29 de junho de 2016

Recife e Olinda: Maracatu gastronômico

Com influências diversas, as cidades são um festival culinário permanente
Acima, visão de Recife e das pontes que cruzama foz do rio Capibaribe, em seu encontro como oceano Atlântico: a cidade se rende ao rio que foi cenário de grandes histórias (Foto: Divulgação)
O estado de Pernambuco é porta de entrada para a cultura nordestina de coloridos e tradições desde os tempos coloniais. Em Recife, a capital, as praias são ladeadas de prédios modernos e construções da época da indústria da cana-de-açúcar – além da sensível influência das intervenções urbanísticas de Maurício de Nassau, que governou a vila durante a ocupação holandesa, no século 17, e convidou botânicos, pintores, artesãos e escritores para estudar o novo continente. 

A cidade ainda respira esse legado. Pontes, prédios e áreas verdes, alguns bem preservados, fazem parte da paisagem dessa cidade múltipla e fervilhante, lembrada na literatura e cantada na música popular. Na gastronomia, Recife vai muito além das especialidades típicas de sua cozinha regional sertaneja e litorânea. 

Há frutos do mar, chambaril e carnes de sol, mas a cidade ainda abriga casas das principais escolas culinárias clássicas, o que inclui influências da Itália, de Portugal, da França e até do Japão. 

Reflexos similares são sentidos na vizinha Olinda, a colorida e histórica cidade considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, distante cerca do 10 quilômetros do centro recifense.

Emoldurada por palmeiras e árvores, a igreja de Nossa Senhora das Neves, em Olinda, faz parte do primeiro convento franciscano construído no Brasil, datado do século 17 (Foto: Miguel Igreja/Empetur)

Roteiro: 

Recife
Capital de Pernambuco e fundada em 1537, é uma das cidades mais antigas do país. Litorânea, cresceu às margens do rio Capibaribe e já foi chamada de “Florença dos
Trópicos” pelas suas belezas naturais


A praça Rio Branco, conhecido marco zero da capital pernambucana (Foto: Andrea Rêgo Barros/Divulgação)

Leite  Eis o restaurante mais antigo do Brasil. Fundado em 1882, a casa é voltada às especialidades portuguesas. Isso significa entradinhas como o bolinho de bacalhau até sugestões mais leves, como o arroz de bacalhau, sem falar dos fartos pratos em que postas altas do pescado são protagonistas. O cardápio vai além e tem boas sugestões, como lagostim ao molho de uísque, camarão ao leite de coco e medalhões de filé. No salão, todo o requinte de uma casa centenária que foi ornamentada com prataria, louças e cristais vindos da Europa. Ostentação que, na época, fez com que rapidamente se tornasse o ponto de encontro de figurões da sociedade, senhores de engenho e intelectuais. Praça Joaquim Nabuco, 147, Santo Antônio, tel. (81) 3224-7977, restauranteleite.com.br.

Quina do futuro Uma instituição japonesa que começou familiar e assim se mantém desde 1983. A casa é comandada por André Saburó filho do patriarca idealizador e hoje um dos principais nomes da cena pernambucana. Vale destacar o projeto que o chef desenvolve com comunidades pesqueiras, que rende preciosidades como o atum tipo exportação de 85 kg – podendo chegar muitas vezes a 110 kg. De tal matéria prima, prepara pratos com ovas e até o colar, a “paleta” do peixe que, visualmente, lembra carne vermelha. R. Xavier Marques, 134, Aflitos, tel. (81) 3241-9589, quinadofuturo.com.br.

À esq.: sunomono de maxixe com camarão na água e sal e molho de missô com rapadura, do Quina do Futuro.  À dir.: burrata artesanal e brotos, do Pomodoro Café (Foto: Esquerda: Gregório Rosa/Divulgação. Direita: Divulgação)


Ponte nova Com os pés na técnica francesa, esse é um restaurant que transita muito bem na cozinha contemporânea, com um bom suporte de ingredientes regionais. O chef Joca Pontes, outro premiado em território nacional, é um ávido pesquisador das raízes, cujo trabalho incentiva as lavouras locais de arroz vermelho e a preservação das casas de farinha. No menu, sugestões como o file de sirigado grelhado na manteiga de garrafa, com feijão-verde. R. do Cupim, 172, Graças, tel. (81) 3327-7226, restaurantepontenova.com.br.

Pomodoro café Endereço certo para um jantar à italiana, comandado pelo chef Duca Lapenda. Pastas frescas e especialidades da península, como a burrata, são o destaque da casa. Um dos carros-chefes é o nhoque de batata-doce que leva fonduta, uma espécie de molho aveludado, feito com queijo do Reino, produto bem famoso em terras pernambucanas. Em paralelo, o cozinheiro toca o Oliva Verde, misto de empório de importados e rotisseria dedicada a especialidades mediterrâneas. R. Alfredo Fernandes, 77, Casa Forte, tel. (81) 3314-0530.

Just madá Point para um almoço charmoso ou um happy hour entre amigos – as poucas mesinhas da calçada são disputadíssimas. O cardápio também visita a Itália e faz brincadeiras com insumos locais, o que resulta num casamento imbatível. Coisa fácil de entender quando se tem diante dos olhos algo como o carpaccio de carne-seca com couve ou massas como a que leva parma e charque crocante. Av. Conselheiro Aguiar, 1.360, loja 31, Galeria Centro Sul, tel. (81) 3467-4618.

Cozinhando escondidinho O lugar para se fartar de comida regional. Não vá esperando um restaurant nos moldes formais, com fachada ostentação e salões amplos. O negócio do chef Rivandro França funciona em uma casa, na qual nenhuma parede da estrutura original foi derrubada. Nesse formato irreverente e simples, ele apresenta um cardápio nordestino autêntico, a servir mocotó, escondidinho e pudim de tapioca. R. Conselheiro Peretti, 106, Casa Amarela, tel. (81) 3451-0599.

Anjo solto Localizada na descolada galeria Joana D’Arc, a creperia funciona como ponto de encontro da galera antenada da cidade, e é refúgio quando bate aquela fome tarde da noite. Artistas e profissionais de cozinha batem cartão na madrugada. A cartela é grande e traz dos clássicos com queijo até camarão e amêndoas. Av. Herculano Bandeira, 513, Pina, tel. (81) 3325-0862, anjosolto.com.br.

À esq.: salão do restaurante Ponte Nova, do premiado chef Joca Pontes. À dir.: Farol de Olinda no Morro do Serapião  (Foto: Esquerda: Divulgação. Direita: Hugo Acioly/Divulgação)

Olinda


Próxima à capital, mantém sua bela arquitetura colonial, calçadas de paralelepípedos e realiza um dos carnavais mais concorridos do país

Oficina do sabor Vale escalar suas famosas ladeiras para chegar a esse templo da comida regional. Comandado por César Santos, considerado o embaixador da gastronomia pernambucana no Brasil e no mundo, é conhecido pelos pratos recheados com jerimum – abóboras enormes que saem do forno borbulhando em 15 versões bem tentadoras, como camarões ao maracujá, lagostim e manga, polvo e coco. R. do Amparo, 335, Cidade Alta, tel. (81) 3429-3331, oficinadosabor.com.
+ Tirandentes: doces histórias

Beijupirá  A famosa casa tem matriz em Porto de Galinhas, no litoral pernambucano. Sob o comando da chef Adriana Didier, o lugar é reconhecido pela cozinha criativa que mistura sabores fortes, como lagosta, vôngole, polvo e canela, ou o famoso peixe ensopado comcurry, mel e gergelim. R. Saldanha Marinho, s/nº, Alto da Sé, Carmo, tel. (81) 3439-6691, www.beijupira.com.br.

Macaxeira e charque, prato do Beijupirá  (Foto: Divulgação)

Maison do bomfim O nome entrega: o lugar tem um pé na França, pois é comandado pelo chef Jeff Collas, que nasceu em Gana, cresceu na França e, na década de 70, chegou ao Brasil. De sua cozinha, saem clássicos como mexilhão e escargot até carré de cordeiro com crosta de ervas e frutos do mar com molho de pitanga, fruta abundante em terras pernambucanas. R. do Bonfim, 115, Carmo, tel. (81) 3439-2721.

Ladeira da Misericórdia, em Olinda, um dos muitos símbolos da cidade (Foto: Hugo Acioly/Divulgação)

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