quinta-feira, 9 de junho de 2016

Rua da Imperatriz: decadente e à espera de melhorias

Alunos de arquitetura da Unicap apresentam propostas para tornar a Rua da Imperatriz mais atrativa no Centro do Recife

Prédio de número 147 da Rua da Imperatriz, onde nasceu Joaquim Nabuco, recebeu foto do abolicionista / Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem

Prédio de número 147 da Rua da Imperatriz, onde nasceu Joaquim Nabuco, recebeu foto do abolicionista
Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem


Um trabalho de estudantes de arquitetura, que poderia ter ficado restrito ao universo acadêmico, movimentou a Rua da Imperatriz durante todo o dia de quarta-feira (8) e chamou a atenção para a decadência da via, localizada no bairro da Boa Vista, no Centro do Recife. A partir do olhar dos jovens pesquisadores, pedestres se espantaram ao constatar que a rua tem apenas uma árvore, que não dá sombra, em seus 300 metros de extensão.

Para evidenciar a falta de vegetação, os alunos construíram uma árvore de madeira coberta com tecido e colocaram na Imperatriz, mostrando os benefícios de uma rua sombreada. “Percebemos que há poucas lixeiras e muita gente chega a descartar o lixo no chão, por isso enfeitamos os recipientes, que ficaram bem chamativos”, diz a estudante da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) Ana Carolina Vieira.

Os alunos, todos do primeiro período do curso de arquitetura e urbanismo da Unicap, confeccionaram um cordel contando a história da rua e penduraram num varal para os transeuntes pegarem e levarem para casa. “Era curiosa a reação das pessoas, algumas perguntavam se era pago, outras queriam saber se podiam ficar com o folheto”, comentam Priscylla Durão Leite Caldas e Samilla Gabriela Silva Lubarino.


“Teve gente que sugeriu chamar o prefeito para ver o nosso trabalho e algumas pessoas perguntaram se seria executado de verdade”, acrescenta a estudante Manuella Nínive Cavalcanti. “Na minha opinião, não adianta mostrar a proposta ao prefeito, porque ele não liga para a Rua da Imperatriz”, comenta a comerciária Gisele Brito Silva. “O reboco dos prédios cai todos dos dias, é um perigo para o pedestre”, diz Gisele.

O grupo, formado por 60 jovens, destacou prédios que precisam de obra de restauração e marcou imóveis tombados, como a Igreja Matriz da Boa Vista e o prédio onde nasceu o abolicionista Joaquim Nabuco (1849-1910). “Também alertamos para as pessoas o perigo dos fios pendurados, usando desenhos dos postes de antigamente”, declaram as alunas.

O trabalho foi orientado pelos arquitetos e professores da graduação em arquitetura e urbanismo da Unicap Amélia Reynaldo e Múcio Jucá. “É um ensaio propositivo, não um projeto pronto”, ressalta Amélia.

“Algo de bom precisa realmente ser feito, a Rua da Imperatriz está morrendo”, diz a comerciária Eliane Anísio. A frase estampada na entrada de uma loja resume bem a situação: “Precisamos de clientes, com ou sem experiência”.

JC Cidades

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