segunda-feira, 20 de junho de 2016

São João sem queimaduras nem crises alérgicas

Médicos falam como se prevenir durante os festejos juninos

Muitas receitas de milho, forró, quadrilhas matutas e fogueiras, muitas fogueiras. Elementos mais que presentes no período junino, as fogueiras e os fogos de artifício são um verdadeiro tormento para os alérgicos, que podem sofrer crises de asma brônquica, rinites e alergias oculares causadas pela fumaça que toma conta da cidade. “Além do cheiro incômodo, a fumaça é um corpo estranho, uma substância que vai entrar na narina e no pulmão e provocar coriza, rinite alérgica ou mesmo sinusite”, explica o pneumologista, Guilherme Costa, do Hospital Jayme da Fonte. A irritação pode vir acompanhada de tosse seca, rouquidão, dor de cabeça e tontura, podendo ocorrer ainda asma grave.
Quem também merece maior atenção no período são as crianças, que podem ser vítimas de queimaduras no momento de manusear os fogos ou, no dia seguinte, pisar nas cinzas ainda quentes das fogueiras. “Não existem fogos de artifício inocentes. Todos são potencialmente danosos à nossa integridade física, à nossa saúde”, alerta o cirurgião plástico Guilherme Torreão, também do Jayme da Fonte.
Conforme explica o cirurgião, o mês das festas juninas é o período do ano no qual é registrado o maior número de pessoas vítimas de queimaduras. “Potencialmente, todos os fogos de artifício são perigosos”, explica. “Vamos dar o exemplo do traque de massa”, continua, “aparentemente, ele é inofensivo, mas é muito difícil uma criança manusear apenas um traque de massa. Há um somatório da carga de pólvora que torna esses fogos de artifício tão perigosos como bombas ou rojões”.
No caso da fumaça, o problema maior está naqueles que se encontram nos extremos de idade (crianças e idosos). “O idoso já tem um pulmão debilitado e, na medida em que é exposto à fumaça, desenvolve um quadro mais grave de insuficiência respiratória”, afirma Guilherme Costa. Quanto às crianças, elas podem desenvolver um quadro de asma devido à fumaça. Quem sofre do coração também é prejudicado, podendo vir a desenvolver insuficiência cardíaca.
Em relação às queimaduras, as pessoas devem evitar segurar os fogos de artifício com as mãos; não tentar acender os fogos que falharem; disparar os fogos apenas ao ar livre e um de cada vez; não deixar as crianças manusearem os produtos; e nunca associar bebidas alcoólicas ao uso de fogos.
Para os alérgicos, é preciso ficar longe das fogueiras e fogos de artifício. Mas, caso não seja possível se afastar dos focos de fumaça, deve-se fechar portas e janelas, colocando toalhas molhadas nas frestas para impedir a entrada da fumaça. As crianças podem dar uma passada rápida na festa, devendo ficar resguardadas da fumaça ao voltarem para casa.
“O ideal é que as pessoas não manuseassem fogos de artifício e nem acendessem fogueiras”, afirma o Dr. Guilherme Torreão. “O que precisamos é conciliar o aspecto cultural com os cuidados básicos que precisam ser tomados quando do manuseio de fogos de artifício e fogueiras”, completa o profissional. Em caso de queimadura, a região afetada deve ser lavada com água corrente ou soro fisiológico e protegida com uma compressa úmida. Sangramentos podem ser estancados envolvendo-se o local com pano limpo úmido. O paciente deve ser levado ao médico imediatamente, pois apenas o profissional pode avaliar corretamente o quadro e determinar o tratamento correto. O mesmo vale para as crianças que apresentarem crise alérgica, que devem ser levadas ao pediatra.

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