segunda-feira, 13 de junho de 2016

Startups de Pernambuco ganham espaço no mercado

O estado está em destaque com 114 iniciativas deste tipo, segundo dados da Associação Brasileira de Startups, sendo 100 delas no Recife



Na Jump, mais de 60 startups foram encubadas, 5 aceleradas e 22 chegaram a se formar. Foto: Facebook/Reprodução

Tendo como palavra-chave a inovação, as startups estão ganhando espaço no mercado maduro e conquistando grandes companhias. Sem muita estruturação, essas empresas em desenvolvimento podem ter ideias que somam bilhões. Assim como os exemplos globais, como a famosa empresa de veículos Uber, esta realidade não está tão distante. Pernambuco está em destaque com mais de cem iniciativas deste tipo.

Segundo dados da Associação Brasileira de Startups (ABS), atualmente existem 114 startups cadastradas somente em Pernambuco estando 100 delas no Recife. O Nordeste ocupa a quarta posição nessse ranking. Os principais nichos que despertam ideias na área de economia criativa são internet e educação. "A presença de investidores e aceleradoras sem dúvida permite que haja uma conexão maior entre os empreendedores do Nordeste. Incentivos da própria associação podem facilitar o surgimento e fazer com que esses dados se repliquem na região", salienta a gerente de projetos da ABStartups, Preta Emmeline.

Um ambiente favorável à cultura de inovação coloca o estado e a cidade nesta colocação, de acordo com o chefe executivo da área de Empreendedorismo do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), Filipe Pessoa. "O conjunto de instituições, tanto universidades e aceleradoras, fortalece esse ecossistema no Recife promovendo uma estrutura de geração de conhecimento", constata.

Se tratando de uma companhia iniciante tentando um encaixe no mercado, o número daquelas que conseguem uma colocação ainda é bem menor quando comparado àquelas que se lançam nesse modelo de negócio. Apesar dessa realidade, a posição de Pernambuco pode ser animadora. "Nos Estados Unidos, a chance de encontrar uma empresa que valha 1 bilhão de dólares é de 500 para uma. O índice de mortalidade é realmente alto. Aquelas que apresentam uma estrutura de maturação se destacam. E a busca para tornar o negócio bem-sucedido é motivada justamente pela relação de risco e retorno", justifica o executivo.

Exemplo
Atualmente o Cesar.Labs, aceleradora do Instituto, incuba quatro projetos e 50 empresas já participaram do programa em 15 anos. Um desses destaques é a NeuroUp, que foi acelerada pelo Cesar e hoje tem parceiros, demandas nacionais e entrega soluções ao mercado. "Já trabalhei com neurociência, mas com uma visão acadêmica, realizando pesquisas. Depois de perceber que essa era uma área para ser desenvolvida no estado fui criando a ideia de empresa", conta o fisioterapeuta e diretor-executivo da startup, Ubirakitan Maciel, de 25 anos.

NeuroUp elaborou um produto nas áreas de neuromarketing e biofeedback e tem demandas nacionais e entrega soluções ao mercado. Foto: Divulgação

Depois de conseguir financiamento do Programa Nacional de Aceleração de Empresas e do Cesar.Labs, a NeuroUp elaborou um produto nas áreas de neuromarketing e biofeedback. Através de sensores cerebrais e musculares, o aparelho desenvolvido capta estímulos para várias aplicações, principalmente nas áreas da saúde, como fonoaudiologia e fisioterapia. "A plataforma capta sinais elétricos e transforma em estímulos sensoriais usados para jogos, sons de instrumentos musicais e tratamentos médicos. Pode ser usado para tratamento de dores crônicas, relaxamento, pacientes com AVC e bruxismo, por exemplo", conta Maciel.

Na contramão
Em contrapartida ao mercado já maduro, a crise econômica beneficiou a área de economia criativa. "No âmbito das startups, esse período de dificuldade se torna uma oportunidade, já que a proposta de facilitar processos e reduzir os custos está bem ligada ao setor de inovação", explica o analista da Jump, aceleradora do Porto Digital, Danilo Torres.

Na Jump, mais de 60 startups foram encubadas, 5 aceleradas e 22 chegaram a se formar. Entre as áreas que são tendência, além da Tecnologia da Informação que é alavancada pelo baixo custo em desenvolver softwares, estão em alta impacto social e internet das coisas. Nesse espaço transiente se destacam aquelas que se conectam, aponta Torres. "O cenário tem amadurecido bastante. E o papel do Porto Digital é atuar como Hub, promovendo referências e gerando qualificação".

Mariana Fabrício - Diario de Pernambuco

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