quarta-feira, 29 de junho de 2016

Um tesouro lusitano no Centro do Recife

Gabinete Português de Leitura possui acervo com 80 mil exemplares no Recife Foto: Ed Machado/FolhaPE
Um verdadeiro tesouro da literatura lusófona está abrigado discretamente na rua do Imperador Dom Pedro II, região central da capital pernambucana. Ainda desconhecido por muitos, o Gabinete Português de Leitura no Recife completa 166 anos em 2016, acumulando um acervo com mais de 80 mil exemplares e uma estrutura que permite uma verdadeira viagem ao tempo.
Casarão histórico de 1921 tem três andares dedicados à literatura lusófona Foto: Ed Machado/FolhaPE
Além do acervo, o casarão-sede com três pavimentos também chama a atenção. Construído em 1921, especialmente para receber a instituição, possui uma nobre mobília de estilo Manoelino (gótico português) em diferentes tipos de madeiras de lei, com móveis que datam do início do século 20. Uma claraboia, de autor desconhecido, contribui para o deslumbre do salão nobre e iluminação natural do espaço, que costuma sediar eventos restritos para os seus 300 associados.
Uma deslumbrante clarabóia com vitral ajuda na iluminação natural do salão nobre Foto: Ed Machado/FolhaPE
Nas estantes do gabinete, obras raras dos séculos 17, 18 e 19 estão à disposição do público. Manuscritos de um capítulo do romance “A Cidade e as Serras”, de Eça de Queiroz, doado pela família do autor português, estão entre as raridades. O Gabinete, aliás, abriga um dos maiores acervos do escritor no Brasil. 
Obras raras constam no acervo no Gabinete, entre elas, a única edição do livro “Urtigas”, de Carneiro Vilela, escrita a mão entre os anos 1885 e 1900 Foto: Ed Machado/FolhaPE
Uma biografia de frei Bartolomeu dos Mártires, de 1850; a única edição do livro “Urtigas”, de Carneiro Vilela, escrita a mão entre os anos 1885 e 1900, também estão entre as raridades da casa. Pesquisadores da obra de Carneiro Vilela de todo o Brasil visitam a biblioteca para consultar o manuscrito. Guardados em cofre, também estão no acervo obras eclesiásticas, que antecedem o descobrimento.
Hélice do Lusitânia, avião portugues que fez a primeira travessia aérea do Atlântico Sul com rota certa Foto: Ed Machado/FolhaPE
Outras curiosas raridades também estão abrigadas no GPL do Recife. Trata-se da hélice do Lusitânia, avião dos portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral que, em 1922, fizeram a primeira travessia aérea do Atlântico Sul com rota certa, que fez escala em Fernando de Noronha e no Recife na época.
Valioso acervo de Eça de Queirós também consta no Gabinete Português de Leitura Foto: Ed Machado/FolhaPE

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