sábado, 9 de julho de 2016

10 ANOS DE AVANÇOS NA EDUCAÇÃO DE PERNAMBUCO





Rede municipal de Bonito, no Agreste pernambucano, utiliza programa estadual Alfabetizar com Sucesso em 30 escolas 

Os bons resultados que alçaram Pernambuco ao quarto lugar no ranking nacional do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), dizem respeito ao desempenho obtido pelos alunos do ensino médio, o antigo segundo grau, ou científico. É a parte que cabe exclusivamente aos estados, segundo o regime de colaboração determinado na Constituição, que determina os deveres de cada ente federativo em relação à educação pública.

Aos municípios, cabe a promoção da educação infantil e dos anos iniciais do ensino médio, além da divisão dos anos finais do ensino fundamental com os estados, que engloba a entrada dos alunos nas creches, o processo de alfabetização e a preparação para a chegada ao ensino médio. Ou seja, da creche ao 9º ano. Na prática, como os estados dispõem de muito mais recursos que as redes municipais, o que tem ocorrido é que, na maioria dos casos, os estudantes já chegam ao ensino médio com uma série de dificuldades que, muitas vezes, não conseguem ser solucionadas em apenas três anos.

Pensando nisso, o Governo de Pernambuco assumiu o desafio de pensar a educação pública de forma mais ampla, procurando diminuir as barreiras que sempre existiram entre a rede estadual e as redes municipais. Na semana passada, foi lançado o Programa Educação Integrada, justamente para fortalecer a relação com os municípios e que irá promover uma série de ações voltadas ao desenvolvimento do ensino fundamental, inicialmente, em 15 municípios. Mas o fato é que, desde 2007, essa colaboração entre Estado e os governos municipais já acontece de forma efetiva, principalmente nos anos iniciais do ensino fundamental, quando ocorre o processo de alfabetização dos estudantes.

Os municípios que participam da parceria assinam um termo de adesão e recebem do Estado o trabalho de formação continuada dos professores. Até 2014, o Governo do Estado manteve uma parceria com o Instituto Ayrton Senna, através do programa Circuito Campeão, que fazia, basicamente, o gerenciamento de alguns indicadores, um trabalho com foco em informações quantitativas. Pelas dificuldades de logística que existiam em relação à metodologia do IAS, as formações ocorriam com grupos de coordenadores que faziam a multiplicação nos municípios. Desde 2015, com o término da parceria com o instituto, quando o Estado assumiu todo o processo de monitoramento e avaliação, as formações voltaram a acontecer diretamente com professores. Hoje, são cerca de 98% dos professores formados pelos técnicos da Secretaria de Educação estadual (SEE) e das Gerências Regionais de Educação (GRE).

O foco desse trabalho de formação oferecido pelo Estado é realizado em cima da perspectiva da alfabetização através do letramento, uma metodologia um pouco diferente dos processos tradicionais de primeiras letras. “Enquanto o método clássico trabalha com o processo da apropriação da escrita, da decodificação, da língua como um produto estático, parado, no letramento o aluno aprende o código da escrita sabendo o seu uso social, inserindo a criança, desde a educação infantil, no gênero textual, buscando uma melhor interpretação de texto”, ensina Ana Morais, gestora dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental da SEE e responsável pelo programa Alfabetizar com Sucesso, política pública do Estado para a alfabetização.

Outra mudança implementada pelo Estado após a saída do Instituto Ayrton Senna foi a criação de um sistema de informações próprio, o SIAS (Sistema de Informações Alfabetizar com Sucesso), que funcionou como piloto no ano passado e este ano passou a funcionar com todos os 144 municípios parceiros. No SIAS, os coordenadores municipais enviam os dados para as GRE, que fazem o acompanhamento mensal das escolas, com o monitoramento dos indicadores de sucesso (livros lidos, frequência dos professores, reuniões pedagógicas, presença de supervisores ou equipe técnica central nas salas de aula) e de aprendizagem (acompanhamento de todo o processo de leitura e escrita das crianças, do 1º ao 5º ano). “Esse acompanhamento é importante para o professor, pois ele pode observar como está um estudante que ele percebe que não caminhou como deveria. Também dá uma visibilidade grande para o coordenador municipal saber qual a escola em que ele precisa chegar mais perto, propor formações diferentes”, explica a gerente geral de Educação Infantil, Anos Iniciais e Correção do Fluxo Escolar da SEE, Cláudia Roberta Gomes. 

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