segunda-feira, 25 de julho de 2016

BR-101: a rodovia da morte em Pernambuco


Trecho mais perigoso em quantidade de mortes fica na variante que a BR-101 faz de Pontezinha, no Cabo de Santo Agostinho. Fotos: Diego Nigro/JC Imagem
Trecho mais perigoso em quantidade de mortes fica na variante que a BR-101 faz de Pontezinha, no Cabo de Santo Agostinho. Fotos: Diego Nigro/JC Imagem

O contorno urbano que a BR-101 faz da Região Metropolitana do Recife, de fato, é um perigo. Dirigir na rodovia mais famosa do País significa correr risco acidente e morte. Os números mostram, mais uma vez, essa triste realidade. Além de permanentemente esburacada, mal sinalizada e cuidada, a rodovia coloca Pernambuco como o 6º Estado em número de mortes em rodovias federais do Brasil. Os dados fazem parte do Atlas da Acidentalidade no Transporte Brasileiro, lançado pelo Programa Volvo de Segurança no Trânsito (PVST) com base nas estatísticas da Polícia Rodoviária Federal (PRF) entre 2007 e 2015.
“O objetivo é fornecer informações que sirvam como ferramenta ao gerenciamento de riscos das viagens, contribuindo para que empresas de transporte realizem ações que contribuam com a redução do número de acidentes envolvendo caminhões e ônibus”,
Anaelse Oliveira, da Volvo

De forma geral, Pernambuco teve 5.077 acidentes que deixaram 3.364 feridos e 409 mortos em 2015. Os acidentes têm um alto índice de gravidade, com 80 mortos por cada mil ocorrências. Para se ter ideia, Minas Gerais, Estado campeão na quantidade de mortos em acidentes nas rodovias federais e com a maior malha rodoviária do País, com 961 vítimas fatais em 2015, teve um índice de gravidade de 62 mortos por mil acidentes.

Acesse o Atlas: www.atlasacidentesnotransporte.com.br

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E o trecho mais perigoso da BR-101 para os acidentes de trânsito com mortes tem 10 quilômetros e fica na chamada variante de Pontezinha, no Cabo de Santo Agostinho, no eixo Sul da rodovia no Grande Recife. Está compreendido entre os quilômetros 86 e 96 e é considerado um dos cinco piores do País em relação ao número de mortos. Foram 146 acidentes que resultaram em 178 feridos e 16 mortos no ano passado. O segundo pior trecho do Estado em número de mortes é entre os quilômetros 64 e 74 da BR-101, onde aconteceram 428 acidentes que deixaram 96 feridos e 7 mortos. O trecho citado começa nas imediações da Justiça Federal, no bairro do Jiquiá, e segue até a altura da Avenida Caxangá, na Iputinga.

Segundo trecho mais perigoso no Estado fica entre o Jiquiá e a Iputinga
Segundo trecho mais perigoso no Estado fica entre o Jiquiá e a Iputinga
“O objetivo é fornecer informações que sirvam como ferramenta ao gerenciamento de riscos das viagens, contribuindo para que empresas de transporte realizem ações que contribuam com a redução do número de acidentes envolvendo caminhões e ônibus”, destaca Anaelse Oliveira, coordenadora do Programa Volvo de Segurança no Trânsito.

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Os dados de Pernambuco apresentados no Atlas da Acidentalidade no Transporte Brasileiro não surpreenderam que vive a operação de trânsito no Estado. Marilene Malagodi, da Assessoria de Comunicação da PRF, confirma que a BR-101 é a rodovia que mais exige atenção da fiscalização. “É para ela, juntamente com a BR-232, que dirigimos nossa grande atenção. Principalmente porque a 101 tem um caráter muito urbano, cortando mais de cinco municípios da Região Metropolitana do Recife, com um grande volume de veículos pesados (caminhões e ônibus) e de pessoas realizando travessia. De todos os acidentes que temos no Estado, 60% acontecem na BR-101, 30% na BR-232 e os 10% restantes nas outras BRs que cortam o Estado”, diz.

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O levantamento também faz um detalhamento sobre os acidentes envolvendo veículos pesados, como caminhões e ônibus – produtos fabricados pela Volvo. Em Pernambuco, aconteceram 1.446 acidentes com caminhões, que deixaram 616 feridos e 123 mortos no Estado. Com ônibus, o número foi bem menor, até porque a frota também é mais reduzida. Foram 363 acidentes que resultaram em 245 feridos e 37 mortos.

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Os Estados com maior número de mortes em acidentes nas rodovias federais em 2015 foram Minas Gerais, com 961 mortos, seguido pela Bahia, com 641, Paraná, com 584, e Santa Catarina, com 461 mortos. Outra informação revelada pelo Atlas foi que o maior número de acidentes acontece entre 17h e 18h, porém, os mais fatais se dão na madrugada, entre 3h e 5h. Sexta e sábado são os dias com o maior número de acidentes, já aos sábados e domingos as colisões são mais letais.

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A principal causa de mortes nas rodovias federais do País no ano passado foi a falta de atenção, responsável por 1.203 mortes, seguida por excesso de velocidade, com 946, e ultrapassagem indevida, 592 mortes. No entanto, quando considerado o índice de gravidade, a causa mais letal foi a sonolência ao volante. Apesar do número de acidentes provocados por motoristas sonolentos na direção ser menor que a falta de atenção, quando eles acontecem, são mais letais, com um índice de gravidade de 5,9. Em segundo lugar, está a velocidade incompatível, com índice de gravidade 4,3, e, em terceiro lugar, empatados, estão dirigir sob efeito de álcool e defeito mecânico no veículo, com um índice de gravidade de 4,2.

De Olho no trânsito - JC

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