quarta-feira, 13 de julho de 2016

Brasil: Embraer é única aprovada em teste anticorrupção

Do Selesnafes 



Apenas uma empresa multinacional de origem brasileira sobreviveu um teste anticorrupção feito pela ONG Transparência Internacional. Em relatório divulgado na segunda-feira (11), a Embraer foi a única que restou entre 12 grandes companhias brasileiras analisadas no estudo sobre países emergentes. Em uma escala de zero (empresa menos transparente) a dez (mais transparente), a empresa obteve 5,6 pontos.

No relatório "Transparência em Relatórios Corporativos: Avaliando Multinacionais de Mercados Emergentes" foram avaliadas 100 empresas de 15 países com presença em 185 mercados. Com a nota, a Embraer aparece entre as 20 empresas mais transparentes do mundo. Das brasileiras, a Natura teve a segunda melhor pontuação (4,7), mas não foi o suficiente para entrar no ranking positivo, já que a nota de corte estabelecida foi cinco.

Na lista há brasileiras citadas por delatores da Operação Lava Jato, como a Odebrecht, o grupo JBS e a Camargo Corrêa, que obtiveram 3,6 pontos, 3,1 pontos e 2,1 pontos, respectivamente. A pior brasileira foi a têxtil Coteminas, da família do ex-vice-presidente José Alencar (1931-2011), que obteve 1,1 ponto.

Divulgação

As empresas BRF, Gerdau, Magnesita Refratários, Marcopolo, Votorantim e Weg também foram avaliadas no teste, mas ficaram todas abaixo da média.

A Latam Airlines (fusão da Lan e Tam) também está no estudo. Contudo, tendo sua sede no Chile, a empresa que aparece em 35ª, com 4,5 pontos, como chilena em vez de brasileira.

O estudo aponta que 75% das empresas ficaram abaixo dos 5 pontos no teste e a média foi de 3,4 pontos. Em 2013, quando foi divulgada a última pesquisa, a média foi relativamente mais alta.

"MERCADOS EMERGENTES, TRANSPARÊNCIA PATÉTICA"
O estudo leva em conta a clareza da empresa acerca de sua transparência referente a pagamentos, programas anticorrupção e transparência organizacional. Em seu editorial, o site da Transparência Internacional classifica a transparência dos países emergentes como "patética".

"O que o grande escândalo de corrupção do Brasil e as acusações de desvio de fundos envolvendo o primeiro-ministro da Malásia têm em comum? Grandes empresas multinacionais tiveram um grande papel em ambos", diz o texto. "Alguém poderia ter esperanças de que esses escândalos ensinariam a comunidade multinacional dos mercado emergentes uma lição sobre a importância da transparência e maior abertura dos negócios na prestação de contas. Mas, infelizmente, esta alguém estaria errado".

Para o ONG, os padrões de transparência considerados baixos sugerem que os emergentes estão mal preparados para uma era pós-Panama Papers, na qual o sigilo corporativo não é mais considerado aceitável. 

Panrotas

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