sexta-feira, 1 de julho de 2016

Energia elétrica que vem do lixo

Laboratório da UFPE quantifica quantos kWh podem ser produzidos a partir do gás metano



Jedson Nobre/Folha de Pernambuco

Biorreator transforma 500 ml de metano em 35 kWh/mês. A energia é capaz de abastecer 84 casas

Parte dos alimentos que sobram no restaurante universitário da UFPE ganha um destino diferente na instituição. É no Laboratório de Resíduos Sólidos que o volume de gás metano gerado a partir do material orgânico é quantificado. A ideia, segundo os pesquisadores, é estimar a capacidade de geração de energia elétrica que pode ser produzida a partir do volume de biogás gerado. Só em três dias, 500 ml de metano foram contabilizados pelo laboratório.


Esse volume, se colocado num biorreator, é capaz de gerar 35 kWh/mês de potência instalada de energia elétrica, suficiente para abastecer 84 casas, desde que o consumo seja regular. O equipamento, doado pelo governo alemão à UFPE, simula a mesma célula experimental utilizada no aterro sanitário da Muribeca.

No laboratório, o material orgânico é processado por meio de um sistema automático e ao fim do experimento, um banco de dados é gerado automaticamente por um software. As informações ficam armazenadas em um computador.

A mestranda em engenharia civil Rebeca Valença, 23 anos, explicou que o biogás é uma forma de energia renovável e de queima limpa que substitui o GLP (gás de cozinha) e se colocado em motores geradores, também é combustível para geração de energia elétrica. “Além de impedir que o metano seja liberado à atmosfera, que é um gás de efeito estufa 21 vezes mais poluente que o gás carbônico”, salienta a pesquisadora.

O processo passa por quatro etapas. Antes, os alimentos são cuidadosamente selecionados. As sobras vêm do refeitório e da cozinha do restaurante universitário. “No refeitório coletamos o que sobra nos pratos. Feijão, macarrão, arroz, por exemplo. Já na cozinha, restos de cebola, alface, cascas de laranja. Daí, levamos ao laboratório para fazer a separação”, detalhou o técnico em química Leandro Silva, 26. Os resíduos são triturados e misturados a inócuos, como lodo industrial ou doméstico. Esses insumos facilitam o processo de fermentação na incubadora (ver vídeo e arte).

Ganho financeiro

De acordo com o coordenador do Grupo de Resíduos Sólidos da UFPE, Fernando Jucá, o experimento mostra que biodigestores são a solução para inúmeros problemas no Brasil, além de serem investimentos de alta rentabilidade. Só para tratar o lixo que é produzido no Recife, desde o recolhimento até a chegada no aterro sanitário da Muribeca, são gastos R$ 200 milhões ao ano. “Investir em biodigestores traz ganho financeiro, sem dúvidas.

Ao gerir os resíduos sólidos, diminuem-se gastos com transportes para recolher o lixo doméstico e transportá-lo até o aterro. Até para fazer o tratamento desse lixo no aterro é mais um gasto”, analisou. Só o lixo doméstico gerado no Recife é responsável por quase 70% de todo o resíduo produzido na Capital.

Priscilla Costa, da Folha de Pernambuco

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