sábado, 9 de julho de 2016

Eslovênia quer fisgar brasileiro pela taça

Confraria recifense e consulado apresentam a vitivinicultura da República, no Leste europeu



Bruno Campos/Folha de Pernambuco
Nem branco nem tinto: vinho laranja fica no meio das duas qualidades

No ano em que a Eslovênia comemora 26 de independência da Iugoslávia, o pequeno país com 20,5 mil quilômetros quadrados e população aproximada de dois milhões de ha­­bitantes quer estreitar a rela­ção com o Brasil. Vem fazen­do isso a partir da promoção da República como destino turístico e rumo obrigatório pa­ra os foodies de plantão.

Sur­preso? Quem faz a defesa da gastronomia típica e da pro­dução enológica expressiva é o próprio cônsul no Nordeste, Rainier Michael, que destaca que a República da Eslovênia, apesar de geograficamente pequena, tem várias determinações de origem que protegem seus alimentos.

Ao longo desta semana, o con­sulado, em parceria com o Vi­nho Club, confraria local pi­lo­tada por Rildo Saraiva, promoveu degustações de vinhos eslovenos.

Vale registrar que o cultivo de vinhas no país é o mais anti­go no mundo, registros a­pon­­tam que a produção da bebida teve início há 2.400 anos e antes de os romanos levarem a bebida para a França. São três as regiões produtoras: Primorska, a oeste, Podravska, no leste, com foco em espumantes e vinhos de sobremesa, e Posavska.

Pelas mãos de Mihael Margon, da EsloBras Vinhos, distribuidor no Brasil, os enófilos puderam matar a curiosidade sobre o vinho laranja e o tinto com a maior concentração de taninos de todos. Esse é feito com 100% uva refosco e é envolto por uma aura excêntrica. 

De tão escuro, por conta da concentração de taninos, a luz não consegue ultrapassar o líquido pelo vidro da taça. A coloração rubi intensa preserva um líquido encorpado, resultado da maceração da uva por seis ou oito dias, passagem em barril de madeira, acidez elevada e 14% de teor alcoólico.

Vinho laranja

Mas são os vinhos alaranjados, sim, isso mesmo, que a­gu­çam a curiosidade. Não são brancos, nem chegam perto de serem vermelhos, são vinhos solares, frescos e bastante aromáticos. Ganham a tonalidade improvável por conta do maior tempo de contato da casca da uva branca com o suco da fruta. Ou seja, passa pelo mesmo método do vinho tinto. A uva rebula é a mais comum entre os alaranjados de além-mar.

Mihael destaca que os vinhos da Eslovênia, em sua maioria, são produzidos por pequenos produtores que seguem regras de cultivos natu­rais, orgânicos e biodinâmi­cos, portanto, dispensam o uso de produtos químicos. Alguns, inclusive, não são filtrados e ficam turvos.

Um outro rótulo chama a atenção, o espumante tinto fei­­to do corte de refosco e mer­­lot, 85% e 15%, respectivamente. É dotado de um rubi intenso, tem a corpulência de um tinto médio e o frescor dos sparkling wine. É bebida para um verão 40ºC.

Vanessa Lins, da Folha de Pernambuco

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