sábado, 9 de julho de 2016

Estudantes da UFRPE ganham prêmio ao criar prótese para bico de carcará

Alunos ganharam estetoscópios e instrumental cirúrgico


Biquinho, um filhote de carcará de apenas 6 meses, nasceu sem a parte inferior do bico e os ossos da mandíbula. Sensibilizados com a situação da ave, estudantes do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) criaram uma prótese para salvá-lo de ser sacrificado, devido à sua dificuldade em se alimentar. O equipamento, que "vestirá" parte da cabeça do animal provisoriamente até o dia da cirurgia, foi um dos cinco projetos apresentados, nesta sexta-feira (8), que garantiu o primeiro lugar no concurso "Desafio Jovem Cirurgião", no auditório do Departamento de Medicina Veterinária da instituição. 

Como premiação, os estudantes ganharam estetoscópios e instrumental cirúrgico, além de Certificados de Honra ao Mérito. A iniciativa visa a ampliar os conhecimentos de estudantes do 7º período em relação à profissão de médico veterinário.


A prótese provisória para o carcará Biquinho foi elaborada pelas mãos de seis estudantes num período de 15 dias. A estrutura foi feita de acordo com as medições da cabeça do animal e é constituída basicamente de material emborrachado e um bico dissecado de um outro carcará (ver como funciona no vídeo acima). 

De acordo com a estudante Mariana Pontes, 24 anos, essa primeira prótese é apenas para a adaptação do animal, evitando-se, assim, o seu estresse. "Essa (prótese) é para que Biquinho use durante o pré-operatório. Ele precisa se acostumar com o equipamento para que, após a cirurgia, use uma prótese permanente, de material mais resistente", contou.

A coordenadora do evento, Grazielle Aleixo, salientou que a proposta do concurso se baseia na produção de trabalhos voltados para pesquisas que apontem soluções para animais mutilados, no caso confecção de próteses, e a discussão de casos clínicos de difícil resolução. "É uma oportunidade de os estudantes vivenciarem na prática a profissão e lidar com situações que nem sempre são abordados na sala de aula. O concurso vem, exatamente, para exigir isso deles, além de estimular a criatividade" comentou. Todas as propostas apresentadas serão aplicadas nos problemas encontrados pelos estudantes
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Medicina de abrigo

Um outro projeto apresentado à banca avaliadora e que ocupou o terceiro lugar tratou especificamente da medicina de abrigo. O grupo apontou ações que podem ser feitas para melhorar a qualidade de vida de cerca de 100 gatos que vivem numa casa, em Aldeia. "Estivemos na casa de uma senhora que fez da sua moradia um verdadeiro gatil. 

Os cadastramos e fizemos um levantamento para saber qual é macho e fêmea e os identificamos por meio de coleiras. Depois vamos trabalhar com atividades de enriquecimento ambiental e de entretenimento. Por fim, pretendemos castrá-los", disse a monitora da disciplina de Clínica Cirúrgica Veterinária da UFRPE, Emanuela Florêncio, uma das participantes do projeto. A ideia, segundo ela, é montar um grupo de trabalho para que as ações sejam desenvolvidas em até dois anos.

Texto de Priscilla Costa e fotos de Ed Machado, da Folha de Pernambuco

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