sexta-feira, 15 de julho de 2016

No Recife, jovens renovam Igreja Católica com muita fé e ações sociais

Muitos jovens se aproximam da igreja através de grupos que lidam especificamente com  eles / Foto: Comunidade dos Viventes/Cortesia

Muitos jovens se aproximam da igreja através de grupos que lidam especificamente com eles Foto: Comunidade dos Viventes/Cortesia

Neste sábado (16), quando os católicos celebrarão o Dia de Nossa Senhora do Carmo, padroeira do Recife, será comum ver, na cobertura jornalística sobre o assunto, imagens de muitos fiéis nas missas da Basílica do Carmo que aparentam ter bastante idade. Porém, se olharmos com mais atenção, é bem possível encontrar vários jovens devotos da santa, entre eles o estudante João Victor Oliveira. Com 16 anos, o adolescente converteu-se ao catolicismo há sete anos e, há três, passou a frequentar a igreja e ter contato com a congregação carmelitas. 

“Me ajudaram na oração. Faço parte do grupo de espiritualidade, rezamos em pedido de Nossa Senhora do Carmo. Hoje frequento a missa duas vezes por semana, nas quintas e aos domingos”, afirma João. Desde o início da semana, ele acompanha de perto a programação em homenagem à santa, com missas e shows que acontecem na Praça do Carmo, centro da cidade. 

Assim como o garoto, milhares de jovens no Brasil entregam sua fé ao catolicismo e acabam renovando a religião através de grupos e encontros em paróquias em diversos bairros. 

“Geralmente os grupos jovens usam a linguagem e a música para atrair os mais novos. Não é tornar o momento um ‘oba-oba’, mas ter mais louvor, uso de instrumentos como a bateria, a guitarra... 

Os jovens irão dar continuidade a igreja, e é preciso que se busque a santidade”, explica Polyanna Vieira, jornalista e integrante da Pastoral de Comunicação e da Paróquia São Paulo Apóstolo, de Jardim São Paulo, Zona Oeste do Recife.
Crédito: Mateus Vittal/Cortesia

Atividades como acampamentos, retiros, trilhas e até corridas conseguem modernizar e “atrair” novos fiéis para a igreja, mas não são o objetivo principal. A maioria dos grupos jovens católicos tem como propósito ajudar a quem precisa e propagar a palavra de Deus.


João Pereira, 20 anos, encontrou-se na religião católica através da vivência com outros jovens e participando de projetos sociais João Pereira, 20 anos, encontrou-se na religião católica através da vivência com outros jovens e participando de projetos sociaisFoto: João Pereira/Cortesia

Um exemplo é o universitário João Pereira, 20 anos. Ele entrou para a igreja em 2011, durante o período da escola, mas não se sentia totalmente “completo”. A relação com a fé mudou quando conheceu a Comunidade dos Viventes, projeto criado em 2007 que realiza diversas obras e ações de caridade, com um trabalho de “imersão” na fé dos integrantes. 


“Era muito de questionar e reclamava muito da igreja. Mas fui aprendendo mais, e as coisas foram fazendo sentido. Através da minha madrinha de crisma, conheci a Comunidade dos Viventes. Vi que eles apresentavam o Evangelho de Jesus na prática. O comprometimento mudou minha vida”, diz. Hoje ele cursa Teologia na Universidade Católica de Pernambuco.


NOVO ÉDEN Integrantes da Comunidade dos Viventes realizam diversos projetos para cultivarem a fé e ajudar o próximo / Foto: Comunidade dos Viventes/Cortesia

Outro grupo engajado em fazer o bem ao próximo é o Samaritanos. Criado no final do ano passado na paróquia de Casa Forte, Zona Norte recifense, tem como objetivo levar alimento para moradores de rua da cidade. A maior parte dos integrantes tem menos de 20 anos.
“Começamos a organizar e a sair toda quarta-feira à noite. Graças a Deus nosso grupo vem crescendo e esta semana contamos com 70 jovens, fazendo três roteiros diferente para distribuir a comida”, conta Rafael Araujo, 31 anos e um dos fundadores do projeto. 


AJUDA NAS RUAS Os Samaritanos nasceram no grupo jovem da Paróquia de Casa Forte e hoje percorre a cidade para fazer o bem para quem mora na rua / Foto: Rafael Araujo/Cortesia

Além do alimento, o grupo Samaritanos consegue doação de roupas e até ajudar os moradores de rua a conseguir cadeira de rodas e tirar documentação. “Sou advogado e participo de um grupo que também presta assessoria jurídica para quem precisa”, comenta Rafael.

FÉ ALÉM DAS FRONTEIRAS - A pedagoga Nathália Angeiras, 26 anos, era, até 2008, uma católica não praticante. Mas, naquele ano, conheceu uma menina na faculdade que a apresentou à religião de uma maneira diferente. "Era um Jesus de um jeito que eu não conhecia, que se preocupa com o outro é que extremamente atuante em nossa vida e na dos outros", explica a jovem.

A religião alimenta minha vida espiritual e me torna uma pessoa atenta aos outros e a mim mesma, mais sensível às demandas de um Cristo que vive e nos dá a oportunidade de entrar na dinâmica dele Nathália Angeiras, 26 anos

A partir disso ela iniciou uma caminhada de fé dentro da Igreja Católica. Este ano, com duas amigas também católica, Nathália decidiu viajar para a Europa para participar da Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá no final do mês na cidade de Cracóvia, na Polônia.

"Saí do Brasil no começo de julho pra fazer uma viagem que fosse preparando minha fé até a Jornada. Estou revisitando lugares que marcaram minha experiência de fé e me edificaram enquanto cristã. Já passamos por Fátima, Segovia e seguiremos para Roma e Assis. Desde a saída do Brasil, 
percebemos queJesus vem cuidando de cada detalhe é nos dando a oportunidade de colocar esse amor ao extremo em prática, da mesma forma que me encantou há 8 anos atrás", diz a pedagoga.



VIAGEM DE FÉ Com passaporte e terço na mão, Nathália (centro) e amigas partiram em direção à Europa para conhecerem lugares símbolos do catolicismo e participar da Jornada Mundial da Juventude /Foto: Nathália Angeiras/Cortesia

Priscila Miranda
NE10

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