segunda-feira, 11 de julho de 2016

Ônibus sem cobrador: caminho sem volta

Foto: Diego Nigro/JC Imagem

Foto: Diego Nigro/JC Imagem

Não adianta espernear ou reclamar. A operação do transporte coletivo sem a tradicional figura do cobrador de ônibus é um caminho sem volta. É tendência no País, há anos no mundo. Pelo menos essa é a avaliação empresarial e operacional do setor. Não porque se planeje eliminar a categoria do cobrador, mas porque a tecnologia está aí para assumir esse papel. Com benefícios para passageiros e, principalmente, para a operação do sistema.

Com o surgimento da bilhetagem eletrônica – que permitiu que o transporte coletivo pudesse ser pago com créditos eletrônicos adquiridos através de cartões –, tudo ficou mais fácil e eficiente. Entre as vantagens, a redução do tempo de embarque (uma das principais causas de retenção de viagens), e o monitoramento das informações da operação (passageiros transportados, tarifas pagas, etc) registradas eletronicamente.

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Na opinião de quem vive o transporte, também ajuda na redução da violência – e por isso o start para o teste na RMR foi dado. Segundo a NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), em cidades onde o dinheiro foi excluído dos ônibus, devido ao avanço da bilhetagem, como em Campo Grande (MS), os assaltos zeraram. Por lá, há 3,5 anos não há um registro de investida nos ônibus.

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Levantamento da NTU mostra que, somente no Brasil, são 20 cidades que operam o sistema de transporte por ônibus sem cobrador. Outras 13 adotaram o modelo parcialmente. Em Curitiba, das 250 linhas em operação, 66 não têm cobrador. Há cidades, inclusive, que adotaram o modelo há 20 anos. Para os gestores, o alvo dos assaltantes ainda é a renda do ônibus. “Eles roubam os passageiros na fuga, principalmente os celulares, porque têm a possibilidade. Mas não entram para isso”, diz André Melibeu do GRCT.

Mais um testeSem alarde, o GRCT vem testando parcialmente a operação sem cobrador em outra linha, a 060 TI Tancredo Neves/TI Macaxeira. Em 2015 foram 6 assaltos à linha. Desde a mudança, há cinco meses, nenhum.

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Estímulo ao uso do cartão

Muitos gestores e operadores de transporte já acordaram para a necessidade de incentivar o usuário a pagar a passagem com o cartão eletrônico. Para isso, dão vantagens, como tarifas mais baratas. A possibilidade está sendo estudada para Pernambuco.
Na conta do lápis, a saída dos cobradores significa a redução de 15% no custo do sistema, quantia referente ao peso deles na folha de pagamento. A questão é essa redução ser transferida, de fato, para o passageiro. É fundamental que a retirada dos cobradores seja amplamente negociada com os rodoviários e acompanhada de perto pelo MPT para não prejudicar o processo. Mas a categoria já prometeu reação se o modelo for ampliado

Ofício enviado ao GRCT pelo Sindicato dos Rodoviários questionando a retirada dos cobradores
Ofício enviado ao GRCT pelo Sindicato dos Rodoviários

Resposta do GRCT aos Rodoviários
Resposta do GRCT aos Rodoviários

De Olho no Trânsito - JC

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