segunda-feira, 4 de julho de 2016

Os jardins temáticos do Jardim Botânico do Recife

Eles abrigam um dos últimos remanescentes de floresta atlântica na Capital



Alfeu Tavares

Entre as poucas opções gratuitas de lazer no Recife, o Jardim Botânico, situado às margens da BR-232, se apresenta como um importante patrimônio natural por abrigar um dos últimos remanescentes de floresta atlântica na Capital. São mais de 30 hectares de área verde a serem contemplados.
E é em meio a essa “vitrine viva” que os jardins temáticos do Botânico se destacam, além de atuarem como verdadeiros guardiões do bioma. São sete, sendo coleções científicas três deles. Todos idealizados com um propósito diferente, mas com um objetivo em comum: fazer os visitantes conhecerem um pouco mais sobre a preservação da natureza.

Os jardins temáticos, inclusive, contribuíram para o JBR estar entre os cinco melhores do Brasil pelo Ministério do Meio Ambiente com a classificação “A”. Assim, o Recife passa a ocupar a mesma posição que os jardins botânicos do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Porto Alegre, além de se tornar o único do Norte e Nordeste a dispor dessa classificação. 

Palmeiras
Imperiais, garrafas e laca são algumas das 20 espécies que compõem a beleza do Jardim das Palmeiras. Todas da família botânica Arecaceae, que ocorrem tanto naturalmente nas florestas brasileiras como são trazidas de outros países. São mundialmente reconhecidas por suas formas majestosas e pelo seu grande valor paisagístico, sendo utilizadas na ornamentação de praças, parques, ruas e jardins.

No seu ambiente natural, essas palmeiras cumprem uma importante função ecológica, servindo de abrigo e alimento para inúmeras espécies da fauna. No Jardim Botânico, elas estão próximas à entrada do espaço. Recentemente, uma muda de aricuriroba (Syagrus schizophylla) foi plantada no jardim.
Com folhas pinadas e finas, não chega a quatro metros de altura e praticamente desapareceu da Mata Atlântica de Pernambuco, podendo ser encontrada apenas em Sirinhaém, no litoral sul do Estado. “E ao replantar, estamos contribuindo com a perpetuação da espécie na natureza”, reforça a gestora Zenaide Magalhães.

Plantas Tropicais
Essa área se destaca pela sua exuberância paisagística. Foi idealizado para, principalmente, momentos de contemplação. Em meio às flores vistosas e de rara beleza, como dracenas, elicônias e alpinias, um espelho d’água reforça o encanto do ambiente (ver vídeo).

A escultura da Mãe Terra, situada no eixo central do jardim, cultua os elementos da natureza ali encontrados. E é das costas dela que a água que dá forma ao espelho d’água sai. O espaço, projetado especificamente para ir de encontro aos visitantes, está logo no fim da trilha calçada do Botânico.
Por conta da beleza e elementos, o Jardim de Plantas Tropicais foi o espaço escolhido para ganhar um borboletário. O equipamento, que terá estrutura semelhante a uma estufa, funcionará como um tipo de zoológico feito especialmente para a criação e exibição de borboletas. A ideia é trabalhar com espécies nativas que habitam o Botânico. Entre elas, a capitão-do-mato, conhecida pela sua cor azul e bordas pretas, e a olho-de-coruja, chamada assim por ter desenho semelhante aos olhos da ave nas asas.

Plantas Medicinais
A principal proposta é valorizar o conhecimento popular que, desde os tempos das avós, sabe-se que a cura para várias enfermidades vem das plantas. O jardim abriga mais de 40 espécies, sendo 605 mudas. “Esse espaço vem com a concepção de etnobotânica, que é o ramo da botânica que estuda o uso das plantas pelos povos. Resgata essa relação entre o meio ambiente a cultura dos índios e curandeiros. É uma forma de chamar os visitantes para a natureza, sensibilizá-los para a importância de conservar esse bem que nos traz benefícios que vão além dos fitoterápicos”, salienta a gestora do JBR, Zenaide Magalhães.

Por lá, o público pode conhecer espécies de plantas utilizadas tradicionalmente não só para a cura, mas para a prevenção e tratamento de doenças. Entre elas, capim-santo, xambá, hortelã-graúda e colônia. “As plantas medicinais também embelezam um ambiente, ou seja, têm propósito paisagístico. Não servem só para curar”, acrescentou Zenaide.

Sensorial
Ou só “Jardim dos Sentidos”. É nesse jardim que a sensibilidade ganha forma por meio do cheiro, sabor, toque e som. “É aqui que reunimos todos os elementos da natureza num só lugar para despertar nas pessoas que têm alguma deficiência, os seus sentidos”, explica o técnico responsável pelo Jardim Sensorial, Uilian Barbosa.

A proposta inclusiva já começa na área externa do jardim. É por meio do piso tátil - de textura diferenciada - que pessoas com deficiência visual ou baixa visão chegam até o sensorial com a ajuda de guias do parque. O jardim é dividido por setores (veja o vídeo). Entre eles, a bancada de odores, próxima à entrada.
Lá tem a menta, capim-santo, erva cidreira e amescla-de-cheiro entre as espécies expostas. Já o canteiro central é a parte mais divertida para quem visita o espaço - reúne materiais usados para a produção de mudas, como seixos, argila expandida, brita, argila, areia e barro. Próximo, o som de uma pequena cascata. O som da água é suficiente para sentir a tranquilidade que a natureza carrega, mesmo sem poder vê-la.

da Folha de Pernambuco

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