quinta-feira, 7 de julho de 2016

Projeto usa jardins flutuantes para limpar o Capibaribe

Batizado de Biowater, projeto da ONG Greenday terá ajuda de alunos do Ginásio Pernambucano


Um projeto piloto feito à base de garrafas PET promete despoluir o rio Capibaribe. Batizado de Biowater, trata-se de uma metodologia de recuperação ambiental que funcionaria por meio de um conjunto de jardins flutuantes espalhados pelas águas do Capibaribe.
Essas “ilhas artificiais” seriam compostas por espécies de plantas, como flecha-de-índio, banana d’água e cravo de defunto, cujas raízes liberam micro-organismos que se “alimentam” de compostos poluentes e devolvem, em troca, oxigênio para o rio.

A primeira coleta de água será feita nesta quinta-feira (7), às 9h, em vários pontos por onde passa o Capibaribe. A ideia é avaliar a poluição em cada área para, então, definir quais tipos de ilhas se adequam as bactérias presentes. “As espécies de plantas variam de acordo com o tipo de poluição. Tem micro-organismo liberado pela raiz de um vegetal que não absorve óleo, por exemplo. Então, faremos esse estudo para saber onde é despejado esgoto doméstico ou industrial”, explicou o presidente da ONG pernambucana Greenday, Luiz Florentino, responsável pelo projeto.

Os voluntários farão coletas na altura das pontes Santa Isabel, Maurício de Nassau, Imperatriz, da Boa Vista (de ferro), Velha e também na da BR-101. Ainda nesta quinta, as amostras devem ser encaminhadas à CPRH, que analisará a balneabilidade da água em cada trecho.

O protótipo dos jardins flutuantes será elaborado pelas mãos dos estudantes do Ginásio Pernambucano, unidade da rua da Aurora, no Centro. A maquete será feita no início de agosto.
O projeto é semelhante ao usado no Canal Paco, na cidade de Manila, nas Filipinas e a logística é a mesma. 

O diferencial está apenas no material, de baixo custo, mas de grande eficácia. É o que garante Florentino. “O modelo é revolucionário e pode dar muito certo no nosso Estado. É uma tecnologia simples, em que não se gasta muito. A vegetação é capaz de absorver a carga orgânica de maneira muito rápida, ajudando, assim, na qualidade da vida aquática”, explicou Florentino.
O lixo seria recolhido com o auxílio de uma pá mecânica e destinado para coleta seletiva.

Custos

Os custos para criar um jardim flutuante inspirado na ideia dele ficam em torno de R$ 1,2 mil. No Canal Paco, o investimento foi de R$ 80 milhões. “Porém, se lá (nas Filipinas) conseguiram limpar o canal em quatro anos, todo o Capibaribe levaria dez anos ou mais para ficar limpo. Aqui dependeríamos apenas do ritmo da natureza. Nas Filipinas, as bactérias se reproduziram em grande escala em laboratórios”, comparou.
No Recife, os jardins flutuantes ficariam, a princípio, às margens da Aurora e Lagoa do Araçá, que recebe uma grande quantidade de lixo vindo do rio Tejipió. 

Mundo Verde

O protótipo ganhará vida fora dos papéis por meio dos estudantes que participam do projeto Mundo Verde, disciplina opcional voltada para ações sustentáveis.
Laís  Freire, 16 anos, do segundo ano do Ensino Médio, é uma das participantes. “É também uma forma de participar da história do meu Estado. Se um dia o nosso rio ficar limpo, eu vou olhar para trás e ter o orgulho de dizer que eu fiz a minha parte”, vislumbrou. “Esse protótipo, virando realidade, poderá salvar o Capibaribe, mesmo que a longo prazo”, acredita Gabriel Ferreira, 17.



Priscilla Costa, da Folha de Pernambuco

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