segunda-feira, 11 de julho de 2016

Rendimento escolar em escola da rede pública na Zona Sul do Recife melhorou após comunidade entrar no circuito

Por: Anamaria Nascimento



A falta de disciplina de alunos da Escola de Referência em Ensino Médio João Bezerra, em Brasília Teimosa, chamou a atenção não só dos professores e da gestão da unidade. 

Quando ficaram sabendo da desmotivação dos estudantes, moradores do bairro da Zona Sul do Recife decidiram entrar na escola para levar estímulo aos adolescentes. De forma secreta, um grupo de 85 pessoas do entorno do colégio preparava surpresas para os alunos. Bilhetes anônimos eram deixados nas bancas. Os moradores ainda organizavam as salas de aula e espalhavam frases pelos corredores a fim de despertar a curiosidade dos estudantes.

Com as mensagens, os alunos começaram a prestar mais atenção às aulas e a respeitarem mais os colegas. Durante as férias de julho de 2014, os voluntários entraram na escola para capinar a área externa, organizar o jardim e deixar balões de festa nas salas de aula. Quando retomaram o ano letivo, os adolescentes encontraram uma “nova escola”. Durante os dias de aula, uma vez por semana, o grupo de moradores enviava um bolo - de chocolate, de baunilha ou de trigo - para uma sala de aula. “Eles ficavam instigados e, por causa das mensagens de estímulo, melhoraram o comportamento”, contou a pedagoga Socorro Andrade, 53, idealizadora do projeto que mora no bairro.

Quando a moradora apresentou o projeto à gestão da escola, a ideia foi prontamente aceita. Segundo a diretora da unidade de ensino, Viviane Gomes, os funcionários da João Bezerra abriram os portões para os moradores porque faz parte da filosofia da unidade integrar o espaço escolar ao comunitário. “A escola é também um espaço da comunidade. Os moradores investiram tempo e dinheiro para estimular nossos alunos. Não podíamos fechar as portas”, disse.

Há cerca de um ano, o projeto foi suspenso por falta de verba. Todos os materiais - bolos, bombons, balões, fitas - eram comprados pelos moradores. Sem dinheiro, eles deixaram de fazer as intervenções. “A escola é o berçário do amanhã. Fizemos tudo com muito prazer e gostaríamos de voltar, mas precisamos de incentivo financeiro”, lamentou a voluntária Luciliane Marques, 57. Para retomar o projeto, os moradores precisam de materiais como cola, cartolina, fita, além de caixas de chocolate e balões.

Os alunos da escola estão ansiosos pelo retorno do projeto. “Nossa rotina era chata. Quando acabava o fim de semana, eu ficava desanimado, pensando que teria que ir para a aula. Com o projeto, tudo mudou. Foi impactante. A gente tinha curiosidade e queria saber quem estava mandando aquelas mensagens”, lembrou o estudante Anderson Luiz, 17. Os autores dos bilhetes só foram apresentados às turmas numa confraternização de fim de ano, com um jantar promovido pela escola. “Saber que tinham pessoas, mesmo sem ganhar nada, preocupadas com nossa aprendizagem nos fez melhorar”, reconhece Mariana Crespo, 17 anos.

Diario PE

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